sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Secretários da Educação "fizeram a lição de casa", diz Undime sobre evento na Bahia

Quatro dias em um resort cinco estrelas foram o tempo e o local escolhidos pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) para reunir dirigentes municipais de todas as regiões do país para discutir melhores práticas na educação, trocar informações, e sanar dúvidas dos gestores.

“Os secretários fizeram a lição de casa diretinho", afirmou a presidente nacional da Undime, Cleuza Repulho. "Ontem, nós terminamos mais de 21h30, e a platéia estava lotada..

Apesar do sol forte, do acesso fácil a piscinas e ao mar baiano, a reportagem do UOL encontrou o auditório – onde eram realizadas as palestras – sempre cheio durante toda a programação. Em alguns momentos, os secretários se empolgavam e começavam conversas paralelas. Era o momento de os organizadores darem uns “puxões de orelha” na turma.
Mesmo fora do centro de convenções, o tema “educação” era pauta das conversas participantes ouvidas nos almoços e jantares durante os quatro dias.

“Os principais objetivos foram atingidos. Primeiro, trazer os municípios prioritários – aqueles que têm pouca oportunidade de ter acesso a tanta informação no mesmo bloco. Segundo, a participação. Eu tinha certeza que os secretários cumpririam o seu papel”, avaliou Cleuza Repulho.

Em paralelo às palestras, foi aberta uma área com cerca de dez stands para que os presentes pudessem tirar dúvidas e buscar informações sobre o apoio das entidades presentes como a Unicef (braço da Organização das Nações Unidas para apoio à criança), o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação/MEC), da Undime, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Inep e a secretaria estadual de educação da Bahia.

Bancado pelo MEC

No valor de R$ 3,1 milhões, o evento, patrocinado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), autarquia vinculada ao MEC, custeou a presença dos municípios prioritários (o que incluía hospedagem, alimentação e passagens áreas e terrestres), que em sua maioria são das regiões Norte e Nordeste.

Dos 1.301 convidados, 902 pertencem ao grupo de municípios chamados pelo MEC (Ministério da Educação) de “prioritários” – aqueles com as notas mais baixas registradas no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) - que vai de 0 a 10 e é calculado a partir dos dados sobre a aprovação escolar e as médias de desempenho em avaliações do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do Saeb – para os Estados e o Distrito Federal, e da Prova Brasil – para os municípios.

De acordo com os organizadores do evento, isso foi um dos motivos da escolha do local para a realização do 4º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municípios de Educação no município litorâneo de Mata de São João (BA).

Os demais municípios convidados tiveram de arcar com os gastos. “Dos prioritários, nós tivemos a participação de quase 46%. A gente tinha o financiamento [federal] para 50% prioritários e nós organizamos percentualmente pelos Estados para não privilegiar mais um ou outro”, explica a presidente nacional da Undime e secretária de Educação de São Bernardo do Campo (SP), Cleuza Repulho.

A programação do fórum foi marcada por 16 palestras, com apresentações ao longo de todo o 2º e 3º dias, enquanto nos 1º e 4º, apenas um dos períodos (manhã ou tarde) foi destinado para as conferências.

Novos desafios

Na avaliação da primeira presidente da Undime, a professora aposentada Edla Soares, a diferença de quando dirigiu a entidade (há 25 anos) e os dias atuais é a evolução de questões como acesso e qualidade da educação no Brasil neste período. A ex-secretária municipal de Educação de Recife ressalva que o objetivo da entidade continua sendo “trabalhar em cima de um projeto nacional”, que respeite a diversidade cultural de um país de proporções continentais e realidades distintas entre as regiões

“Na minha época, a gente brigava pela obrigatoriedade do ensino fundamental para crianças de 8 anos. Hoje, a Cleuza [atual presidente da Undime] já tem assegurada por lei a educação básica para as crianças e adolescentes e tem de lidar com os desafios da igualdade social e a diversidade cultural”, compara Edla Soares.


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